Corrida para liderar na segurança

Sistemas de segurança no PC ou nos aparelhos móveis nunca são demais, embora muitos usuários se queixem da morosidade das máquinas depois da instalação desses pacotes de proteção. Mas no Brasil, que forma com a China e Estados Unidos o trio de nações mais visado no mundo por hackers e criminosos virtuais, todo o cuidado é pouco. A PSafe Tecnologia (www.psafe.com.br) aposta nesse mercado de segurança virtual e quer crescer no segmento brigando com concorrentes já tradicionais mas com um portfólio de produtos gratuitos e com muitos recursos.

Startup criada há três anos pelo grupo Xangô, holding brasileira especializada em empresas de tecnologia em nuvem, a empresa está lançando cinco novos programas - um deles, uma atualização mais leve do antivírus para computadores -, além de sistemas multiplataformas (para Android, Windows e Mac), e um navegador com bloqueio de propagandas e proteção contra ataques de sites maliciosos.

"Por enquanto, não estamos focados em receita e sim no crescimento da base", diz o CEO Marco de Mello, executivo com 20 anos de experiência na área de TI, dez deles dedicados na Microsoft, onde foi responsável pelas inovações no Hotmail, Exchange Server 2007 e sistemas de segurança do Windows, um dos mais visados do mundo pelos cibercriminosos. Segundo Mello, o ano de 2014 será importante para fortalecer a marca na América Latina, já que os produtos, sempre gratuitos, estão sendo traduzidos para o espanhol, especialmente para o México, Colômbia, Chile, Uruguai e Argentina.

A empresa estará investindo R$ 100 milhões até 2016, com suporte da holding Xangô e de seus investidores estrangeiros, entre eles os fundos de venture capital Redpoint, eVentures, Index e Pinnacle, e só em 2015 vai buscar receita. O objetivo, diz Mello, é usar os produtos da PSafe para oferecer outras soluções e serviços de parceiros. "A partir do ano que vem, esperamos obter receita com a plataforma através de parcerias com outras empresas que nos pagarão para recomendarmos produtos seguros pela nossa home page e também através do pacote de segurança PSafe Suite (recém lançado). Assim, aplicativos e jogos que sejam seguros pagarão à PSafe por instalação a cada vez que um usuário baixar um de seus produtos", explica o CEO.

A startup vai analisar e testar os parceiros para garantir segurança ao usuário "porque o nosso negócio é baseado na confiança". Buscapé e Microsoft são duas empresas que já estão trabalhando com a PSafe nesse modelo de negócios e Mello informa que já houve uma taxa de conversão 20 vezes maior do que a de um banner comum.

A startup tem 30 milhões de instalações e 15 milhões de usuários ativos de seu PSafe Antivirus no Brasil. Ele foi o primeiro produto da empresa, lançado há dois anos, e agora ganhou uma versão mais leve, com novos recursos, em português e em espanhol. "Queremos ser o número um no mercado de softwares gratuitos de segurança no Brasil ainda em 2014, com 60 milhões de usuários", aposta Mello. É uma briga difícil, num campo onde predominam softwares conhecidos e também gratuitos como o Avast! e o AVG.

A empresa tem sede no Rio, escritório comercial em São Paulo e unidade de pesquisas e desenvolvimento em Florianópolis. Hoje a startup brasileira possui 30 servidores online e possui certificação da AV-Comparatives, uma organização independente e sem fins lucrativos que testa se os softwares antivírus para computadores e smartphones entregam o que prometem.

Antivírus e navegador

A média de reincidência do usuário brasileiro atingido com pragas virtuais em suas máquinas é de cinco vezes por ano, diz Mello, "porque ele é social, prefere a pirataria e não gosta de pagar. Então, precisamos oferecer algo realmente bom e que seja de graça, que garanta a segurança e a privacidade". Um desses programas é o PSafe Antivirus, que agora está com motores de detecção, remoção e bloqueio de ameaças digitais em tempo real, e traz um outro engine de regras comportamentais. A ferramenta analisa e alerta contra possíveis alterações na configuração do PC por parte de softwares de terceiros - como alteração de página do navegador, na sequência de inicialização do Windows e mudanças no registro ou em arquivos protegidos. Isso pode incomodar um pouco o usuário porque sempre aparecem esses alertas na tela. Aos distraídos são importantes porque informam sobre o que está acontecendo na máquina, e embora alguns comportamentos não sejam malwares (programas maliciosos) ou vírus, alteram o PC sem autorização prévia e tornam o computador mais lento. O antivírus já removeu 400 milhões de vírus mo Brasil desde abril de 2011, diz a empresa.

Para Windows e desktops outra novidade é o navegador Web, leve e duas vezes mais rápido que o Chrome, que importa as extensões já instaladas no browser do Google, se esse for o navegador padrão na máquina, e todos os seus plug-ins. Além disso, bloqueia os pop-ups e anúncios invasivos dos sites abertos e também as URLs falsas e maliciosas. Outra facilidade é que ao acionar as teclas CTRL+N no navegador, o usuário já visualiza os 12 sites visitados com frequência por ele. Os objetivos são segurança e velocidade, diz Mello, mas o produto tem uma função de conveniência, especialmente para o ambiente de trabalho. O browser pode ser configurado para travar algum vídeo (ou sons) que o usuário esteja visualizando no momento em que o chefe se aproxima da mesa.

Robustez

O pacote PSafe Suite é para Windows e Mac OS (desktops) e combina diversos aplicativos num só produto. Tem como principais tarefas acelerar o computador, reduzindo a inicialização do Windows em 40%, e aumentar a velocidade da internet em 50%. Ao fazer uma varredura rápida no PC, o programa remove do disco rígido todo o lixo deixado ali por outros softwares incorretamente instalados, assim como os não desejados e desnecessários (ou sem a permissão do usuário), faz uma limpeza nos navegadores e ainda aciona o antivírus com um clique. Um detalhe importante é que toda esse trabalho dos programas de segurança e varredura acabam usando muito a memória RAM das máquinas enquanto estão ativos, por isso, o ideal é optar só por um pacote (se instalar a suíte completa não precisará do antivírus, por exemplo).

A PSafe também está de olho no segmento móvel, especialmente no sistema operacional Android, grande alvo dos ataques virtuais e com 60% das infecções constatadas em 2013, segundo a Alcatel-Lucent. O relatório de segurança da Cisco aponta que 99% de todos os malwares móveis foram direcionados para smartphones com Android.

O pacote para essa plataforma é bem robusto para um produto gratuito: inclui antivírus, antiphishing (proteção contra sites falsos), adiciona os spams a uma lista negra, faz limpeza e aceleração do aparelho (removendo coisas inúteis), traz filtros contra SMS trazendo mensagens publicitárias, proteção antirroubo que inutiliza o celular de forma remota se ele for roubado, e embute um otimizador de bateria. Um recurso interessante é o cofre de privacidade pelo qual o usuário permite a criptografia de fotos e mensagens privadas impedindo o vazamento de informações confidenciais. O acesso só se dará com uma senha-mestra e impede que terceiros acessem aplicativos sem a autorização.

Diário do Comércio 4/2/2014