PSafe investe R$ 100 milhões em proteção gratuita na nuvem

Quando as ameaças virtuais estavam restritas aos desktops, a Microsoft - mais especificamente o Windows - reinava absoluta como o principal alvo dos hackers. Em sua passagem de uma década pela gigante americana, o brasileiro Marco de Mello viveu de perto esse cenário. Durante quatro anos, ele foi o responsável global por toda a infraestrutura de segurança do Windows, cuja presença nos computadores superava 90%. Pouco a pouco, o interesse dos hackers está migrando para novos dispositivos e plataformas, ampliando os desafios de proteção.

É sob esse contexto que a brasileira PSafe - empresa de software de segurança criada e liderada por Mello - planeja ganhar participação no mercado.

Companhia do Grupo Xangô - holding criada para desenvolver startups brasileiras de tecnologia - a PSafe tem um plano de investimentos de R$ 100 milhões até 2016 para escalar sua operação. A ideia é aprimorar seu modelo de negócios, baseado na oferta de softwares gratuitos para usuários finais no modelo de computação em nuvem.

"No plano que traçamos, a geração de receita passará a ser uma prioridade em 2015. Para esse ano, o foco será o crescimento da nossa base de usuários", diz Mello. Atualmente, o antivírus da empresa está instalado em 30 milhões de máquinas no Brasil e a base de usuários ativos é de 15 milhões. "A meta é fechar 2014 com cerca de 60 milhões de usuários".

Como parte dessa estratégia, a PSafe está lançando quatro produtos, além de uma nova versão de seu antivírus, o único sistema do portfólio até então. Antes voltada apenas à oferta de proteção para o Windows, a empresa conta agora também com softwares para equipamentos baseados no Android, sistema operacional móvel do Google, e no Mac OS, sistema operacional padrão da Apple. Os sistemas trazem uma série de recursos para aprimorar a segurança e o desempenho de dispositivos móveis e desktops. As novidades incluem ainda o PSafe Web, navegador de internet com funções como o bloqueio automático de propagandas e páginas infectadas.

Com o novo portfólio e a projeção da ampliação da base de usuários, o foco passará a ser a lucratividade da operação. A proposta é usar a plataforma da PSafe para oferecer produtos e serviços de parceiros. O usuário poderá definir seus interesses e receber ofertas personalizadas. No radar estão acordos com empresas de jogos, aplicativos e sites de e-commerce, entre outros.

"Nosso negócio é a confiança do usuário. Todos os parceiros são analisados e testados. A PSafe vai garantir a segurança dessas transações e receberá uma parte da receita", explica. Nessa vertente, a PSafe já desenvolveu ações com a própria Microsoft e o Buscapé. "Tivemos uma taxa de conversão muito alta, vinte vezes maior do que a de um banner normal", diz Mello.

A PSafe está investindo também na expansão para a América Latina. Com uma versão já disponível em espanhol e dois milhões de usuários na região, o foco inicial está nos mercados do México, Colômbia, Uruguai, Chile e Argentina. No momento, a empresa estuda duas possibilidades para centralizar essas operações. As opções são a abertura de um escritório em Miami ou a concentração da gestão no escritório de São Paulo.

Grupo prepara nova operação

Criado em 2010, o Grupo Xangô tem entre seus investidores diversos fundos de venture capital do Vale do Silício, como o Redpoint Ventures e o Index Ventures. A proposta é criar e desenvolver startups no Brasil e na América Latina.

"Temos um viés comum pelo qual passam todos esses projetos. São modelos puramente digitais, baseados em computação em nuvem, de grande escala e que lidam com segurança e privacidade de dados", diz Marcos de Mello, executivo-chefe do grupo e também da PSafe, primeira startup do portfólio a entrar em operação. A holding conta ainda com o Passei Direto, rede social acadêmica que reúne 1,6 milhão de estudantes, e o Eaí, aplicativo de rede social baseada em serviços de localização. No momento, o grupo está estruturando a X5 Tecnologia. A empresa atuará no segmento de serviços de data center. "O plano é construir dez data center de Tier 3 (certificado internacional de segurança e qualidade) no Brasil nos próximos cinco anos. Há uma defasagem e uma demanda enormes no mercado local", diz. Segundo o executivo, existem hoje oito data centers desse porte no país, enquanto nos Estados Unidos são 2,5 mil.

Brasil Econômico 23/1/2014